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Gilberto Barbosa Filho: o historiador que transforma memória em permanência

 

    Iniciar uma série dedicada aos escritores e escritoras de Arapiraca e de toda a região do Agreste alagoano exige começar por alguém cuja obra dialoga diretamente com a memória, a identidade e a história do nosso povo. Por essa razão, o Blog Território dos Poetas Vivos escolhe abrir sua galeria de homenagens com o historiador, professor e escritor Gilberto Barbosa Filho, um intelectual cuja trajetória se confunde com o esforço de preservar e compreender as raízes históricas de Alagoas.


    Mais do que escrever livros, Gilberto Barbosa Filho escreve pontes entre passado e presente. Sua produção intelectual mostra que a história não é apenas um registro de acontecimentos distantes, mas um território vivo, onde memória, identidade e cultura se entrelaçam para formar o sentido de pertencimento de uma comunidade.

Raízes que atravessam gerações

    Filho de Gilberto Barbosa e de Célia Maria da Conceição, Gilberto Barbosa Filho nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas suas raízes estão profundamente ligadas ao interior de Alagoas.

    Ele descende de famílias fundadoras de Arapiraca e de Limoeiro de Anadia, estando genealogicamente ligado a figuras históricas como Manoel André Correia dos Santos e Antônio Rodrigues da Silva, personagens que marcaram o processo de ocupação e formação social da região.

    Essa herança familiar, no entanto, não se limita à memória doméstica. Ela se transformou em objeto de investigação histórica, levando o autor a mergulhar profundamente nas origens das cidades do Agreste alagoano e nas histórias que moldaram a identidade regional.

O professor que ensina história vivendo a história

    Graduado e pós-graduado em História, Gilberto Barbosa Filho atua como professor da rede pública estadual e municipal desde 2014. Em sua prática docente, a história não aparece apenas como conteúdo escolar, mas como instrumento de formação cidadã.

    Para ele, ensinar história é ensinar pertencimento, consciência social e compreensão do tempo.Sua atuação educacional também se estende à construção de projetos voltados à valorização da disciplina. Entre essas iniciativas está a criação da Olimpíada de História de Alagoas, realizada em 2017, que buscou incentivar estudantes a refletirem sobre a história do estado e suas transformações.

    Além disso, o professor integra o grupo de Humanas da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas, contribuindo para o fortalecimento do ensino da área no contexto educacional alagoano.


Intelectual da memória alagoana

    A trajetória de Gilberto Barbosa Filho também se destaca no campo cultural e literário. Ele é membro efetivo da Academia Arapiraquense de Letras e Artes, instituição que reúne escritores, pesquisadores e artistas comprometidos com o desenvolvimento cultural da região.

Paralelamente, atua como coordenador do grupo Escafandristas Alagoanos, coletivo de pesquisadores dedicado ao estudo e à divulgação da história de Alagoas.

    O nome do grupo é sugestivo: como escafandristas que mergulham em águas profundas, seus integrantes exploram as camadas muitas vezes esquecidas da história regional. Nesse mergulho investigativo, Gilberto Barbosa Filho tem contribuído significativamente para revelar personagens, processos sociais e acontecimentos que ajudam a compreender a formação do Agreste alagoano.

Uma obra dedicada à identidade do povo.

    Ao longo dos anos, Gilberto Barbosa Filho construiu uma produção bibliográfica consistente, marcada pelo compromisso com a pesquisa histórica e com a valorização da memória regional.

    Entre suas obras destaca-se Fragmentos de Uma História: Índios, Brancos e Negros no Processo de Construção da Identidade Socioeconômica e Política de Limoeiro de Anadia, publicado em 2011. Nesse trabalho, o autor investiga as bases sociais e culturais da formação do município, analisando a convivência e os conflitos entre diferentes grupos que participaram da construção da identidade local.

    A pesquisa sobre Limoeiro de Anadia também se aprofunda em obras como Crônicas de Limoeiro – Tomo I: O Diálogo dos Povos (2019) e Crônicas de Limoeiro – Tomo II: História, Poder, Cultura e Memória (2024), nas quais o autor reúne reflexões e registros que ampliam a compreensão sobre a história, a cultura e as relações de poder no município.

    Entre suas publicações também estão Limoeiro de Anadia: Cidade da Gente, voltado ao ensino fundamental, e Alagoas: Terra da Gente, que aproxima estudantes da história do estado de forma didática e acessível.

    Outra contribuição relevante é o livro Quilombo de Limoeiro: Das Dores à Festa, das Lutas ao Triunfo, no qual o autor analisa a trajetória histórica e cultural das comunidades quilombolas da região, destacando suas lutas, resistências e conquistas.

Da história de Limoeiro à formação de Arapiraca

    Em determinado momento de sua trajetória intelectual, as pesquisas de Gilberto Barbosa Filho começam a ultrapassar os limites históricos de Limoeiro de Anadia e passam a dialogar diretamente com a formação de Arapiraca.

    Esse movimento ocorre quando o historiador volta sua atenção para um personagem fundamental do processo de ocupação da região: Manoel André Correia dos Santos.

    Essa investigação resultou no livro Manoel André: Ocupação, Desbravamento e Fundação de Arapiraca, obra que analisa o processo histórico de desbravamento e ocupação do território que daria origem ao povoado de Arapiraca. Embora publicado posteriormente, o estudo aborda um período anterior à emancipação política da cidade, quando o território ainda estava sob a jurisdição de Limoeiro de Anadia.

    No livro, o autor examina o papel de Manoel André como figura central na organização inicial da ocupação territorial e no surgimento do núcleo populacional que mais tarde se transformaria em uma das principais cidades do interior alagoano.

O baluarte da emancipação política

    Dando continuidade a essa linha de pesquisa sobre a formação histórica da região, Gilberto Barbosa Filho publicou, em 2024, a obra O Baluarte da Emancipação: Esperidião Rodrigues da Silva.


    Nesse trabalho, o historiador investiga a trajetória de Esperidião Rodrigues da Silva, personagem decisivo na luta pela emancipação política de Arapiraca.

    Naquele período histórico, Arapiraca ainda era distrito de Limoeiro de Anadia. O movimento emancipacionista representou um momento crucial para a reorganização política do Agreste alagoano. Ao estudar Esperidião Rodrigues, o autor evidencia seu papel como verdadeiro baluarte da emancipação política de Arapiraca, responsável por liderar os esforços que culminaram na autonomia administrativa do município.

    Ao conectar as trajetórias de Manoel André, ligado à fundação e ocupação do território, e de Esperidião Rodrigues, protagonista da emancipação política, Gilberto Barbosa Filho constrói uma narrativa histórica que revela duas etapas fundamentais da formação de Arapiraca: o nascimento do povoado e a conquista de sua autonomia.

A escrita como resistência cultural

    Em tempos de mudanças aceleradas e de memória frequentemente ameaçada pelo esquecimento, o trabalho de historiadores e escritores torna-se ainda mais necessário.

    A obra de Gilberto Barbosa Filho demonstra que escrever sobre a história de uma cidade é também um ato de preservação cultural. Seus livros ajudam a compreender as relações sociais, as transformações políticas e os processos culturais que deram forma às cidades do Agreste alagoano.


    Mais do que registrar fatos, seu trabalho busca interpretar contextos, revelar personagens e ampliar a compreensão coletiva sobre o passado.

O primeiro nome de um território de poetas vivos

    Ao inaugurar esta série de homenagens do Território dos Poetas Vivos, celebramos não apenas um escritor, mas um guardião da memória regional.

    A trajetória de Gilberto Barbosa Filho mostra que a literatura e a história caminham juntas quando o objetivo é compreender e valorizar a identidade de um povo.

    Seus livros ajudam novas gerações a entender de onde vieram e como se formaram as cidades que hoje compõem o Agreste alagoano.

    Assim, ao abrir esta série dedicada aos escritores de Arapiraca e região, o Território dos Poetas Vivos presta sua primeira homenagem a um autor que transformou a escrita em instrumento de memória, conhecimento e pertencimento.

    Porque enquanto houver quem escreva a história de um povo, esse povo jamais será esquecido.


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O escritor, Ator, diretor teatral e atual gestor da Casa da Cultura de Arapiraca Aermerson Barros retorna como Herodes na Paixão de Cristo 2026 e reafirma sua história com o espetáculo do Morro da Massaranduba



 Aermerson Barros retorna como Herodes na Paixão de Cristo 2026 e reafirma sua história com o espetáculo do Morro da Massaranduba



    O espetáculo da Paixão de Cristo de Arapiraca volta a emocionar o público em 2026 no cenário simbólico do Morro Santo da Massaranduba, reafirmando uma tradição cultural e religiosa que atravessa gerações. Iniciada no já distante ano de 1995, a encenação transformou-se ao longo do tempo em uma das maiores manifestações teatrais a céu aberto do interior de Alagoas, reunindo fé, arte e memória coletiva.

    Entre os nomes que representam a própria origem dessa história está Aermerson Barros do Nascimento, que retorna mais uma vez ao palco para interpretar Herodes Antipas, o governante da Galileia que, segundo a narrativa bíblica, encontra Jesus Cristo durante o dramático episódio do julgamento.

    A presença de Aermerson Barros vai muito além da atuação. Ele está entre os fundadores do grupo teatral Asas da Liberdade, coletivo responsável por iniciar o espetáculo no Morro da Massaranduba. Naquele momento inicial, um grupo de jovens artistas percebeu no morro o cenário ideal para dar vida à história da Paixão de Cristo.

    Aermerson também foi o primeiro diretor artístico do espetáculo, ajudando a organizar o roteiro cênico, orientar os atores e estruturar a montagem que viria a se tornar tradição na cidade. Coube a ele ainda protagonizar uma das primeiras cenas encenadas no local, interpretando a marcante passagem da tentação de Cristo, momento que abriu simbolicamente a trajetória do espetáculo naquele palco natural.

    Agora, em 2026, ele volta a dar vida ao personagem de Herodes, figura histórica conhecida pelo olhar desconfiado e inquieto diante de Jesus, papel que ganha densidade nas mãos de quem acompanha a evolução da encenação desde seus primórdios.

    A edição deste ano reúne um elenco que promete emocionar o público. O papel de Jesus Cristo será interpretado pelo ator Paulo Caetano, vindo da cidade de Palmeira dos Índios. Já Josy Amorim dará vida a Maria, personagem central na dimensão humana e espiritual da narrativa.

    O ator Ítalo Souza interpretará o governador romano Pôncio Pilatos, enquanto Nivaldo Azarias assume o papel do intrigante e enigmático Judas Iscariotes, personagem marcado pela tensão dramática da traição.

    Outro nome que retorna ao espetáculo é Sandro Leite, que volta a dar vida ao apóstolo Pedro. Já Igor Rozza interpretará Caifás, o sumo sacerdote cuja atuação foi decisiva no encaminhamento do julgamento de Jesus.

    Uma das novidades da edição será a participação da jovem atriz Isadora Amaral, que interpretará pela primeira vez Maria Madalena, personagem de grande sensibilidade dentro da narrativa cristã.

    A direção do espetáculo fica sob a responsabilidade de Wagno Godês, que conduz um elenco sensacional, reunindo atores experientes e novos talentos em uma encenação que promete renovar a emoção do público.

    Assim, no alto do Morro da Massaranduba, a Paixão de Cristo reafirma sua força como expressão cultural, espiritual e artística de Arapiraca. E entre os rostos que atravessam o tempo dessa história, Aermerson Barros permanece como ator, fundador e guardião de uma tradição que nasceu em 1995 e continua viva na memória e na fé do povo.



Por: Redação Território dos Poetas Vivos 

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